quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Expedição DeRocha: conhecendo o Geoparque Seridó (Cerro Corá-RN)...

... Com direito a acampamento em uma pousada linda, uma noite de Festival de Inverno em Cerro Corá, cidadezinha muito fofa, dormir ouvindo de longe o som do Uskaravelho (e tomar café da manhã junto com us karas!), sem falar no pessoal nota dez que foi nessa viagem - éramos 18 pessoas, contando com os guias. E por falar em guias do AventuraDeRocha (melhor grupo!)  <3 CN e Igor <3, eles nem sabem, mas são duas pessoas que eu admiro e em quem eu confio pra caramba.
Nessa expedição, visitamos no primeiro dia o vale vulcânico e a nascente do rio Potengi. No vale vulcânico, consegui até escalar uma cachoeira. Tudo bem que ela estava seca, mas com água, seria uma cachoeira de responsa (que eu jamais escalaria!). As formações rochosas desse lugar são fascinantes! Basaltos com aquela cristalização, nunca tinha visto nada parecido. Almoçamos em um mirante. Bom, passamos mais de duas horas à espera da comida. Enfim, foi maravilhoso (menos a espera pela comida, claro). Acampamos no fim da tarde e à noite estava acontecendo na cidade o Festival de Inverno, mas como eu estava mega cansada, voltei logo (lindo caminho de volta, no meio do mato, iluminado só pela lua, e eu achando que tinha me perdido - massss não me perdi) e, da minha barraca, dormi escutando o rock do Uskaravelho, que era uma das atrações do evento (a outra atração era uma tal de Calcinha Preta, mas meu cérebro é muito seletivo, então eu só ouvi o Uskaravelho mesmo). No outro dia, visitamos várias formações rochosas: os conventos, a casa de pedra, a cidade das pedras, o poço azul, a pedra do tubarão, a pedra do dinossauro, a pedra do nariz, uma pedra oca com inscrições rupestres dentro dela...
Saldo final: todo mundo voltou pra casa inteiro, feliz e satisfeito. E o sertão, ah, o sertão! É algo, assim, fascinante. É, literalmente, vida que brota da pedra. E o sertão verde então, nem se fala...
Quase todas as fotografias da seleção abaixo são minhas, com exceção das que tem a logomarca DeRocha (que são de Igor), e algumas em que eu apareço, que são de Andrea Melo, umas de CN, acho. Detalhe importante: minha câmera deu piti e não ligou de jeito nenhum. Então fiz as fotos com o meu celular mesmo.
Pra terminar essa descrição e ir ao que interessa (as imagens), devo dizer que foi uma das melhores expedições que já fiz. Já quero mais, e estou pensando agora em fazer uma travessia, quem sabe...



























































quinta-feira, 13 de julho de 2017

saudade



A saudade que não se mata
só mata de fome quando não sacia
a vontade de quem, só, se consome.
Por isso a saudade eu não mato,
por isso de saudade eu não morro,
porque cultivo, porque alimento.

A saudade é meu prato farto
de todo dia.

(porque nos teus olhos percebi estrelas...)

Vontade de mergulhar
no infinito desse teu olhar
desenhar as órbitas e constelações
do teu pensamento profundo
transformar em sensações
todos os silêncios
teu mundo
e inventar a exata palavra
que traduza essa distância
entre o meu desejo
e um abismo infinito
que sequer ouso tocar.

Vontade de ficar
uma inteira vida
contemplando as estrelas
desse teu infinito olhar
mas me contento apenas
em colher os cometas
que caem serenos no chão
quando esbarro
de relance
na tua imensidão...


A poesia desaba por dentro

Fiz uma viagem
e só encontrei escombros
de impura poesia encharcada
era tudo tão sujo de lama e lágrima
que um desastre iminente se anunciava:
nem tão cedo e nem tão tarde
essa poesia ainda desabaria
pra dentro de mim
 

sábado, 1 de julho de 2017

Somnium

Ontem sonhei com você
do sonho mesmo, nada lembro
mas acordei com tantos nós
atados na garganta e no peito
que só suspeito tê-lo reencontrado
em inexato vão e surreal momento
e decerto tê-lo visto partir
mais uma
última vez.

Só isso explica
esse aperto que não cabe aqui dentro
esse tormento tomado de assalto
no confuso momento do despertar
na agonia de quem tenta lembrar
um instante que se desfaz
na réstia de sol que alcança
o tecido esgarçado do tempo
e a aurora das horas.

E ainda que de sonhos eu nada saiba
tenho a impressão que nesse cenário
estilhaçado, abstrato, imaginário
foi tua a presença que me despertou
porque quando acordei angustiada
a saudade sob mim debruçada
essa velha conhecida
me acalentou.

E já acordada do sonho esvaído
sem saber de fato o exato motivo
me apego ao dia pra tentar esquecer
dessa noite que nada lembro
desse pressentimento
que me faz crer

que ontem
no sonho
era você...
Imagem: Wendy Scovel, Dark Art (Pinterest)