quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

BIENAL: Em tempos de #foratemer, a poesia é marginal

O que eu menos esperava ver numa Bienal era a poesia das ruas, daquelas que namoram com o grafitti e que se pegam com a pichação, poesia expressa em frases e palavras de protesto / contestação / identidade. Preconceito? Se for, fico feliz por ter me desfeito de mais esse ao contemplar essa exposição, construída coletivamente a partir de uma Oficina de imaginação política (!!!). Resultado: poemas, frases, palavras por todos os espaços, escritas por muitas mãos. Sem falar que o espaço era convidativo: nele podíamos deitar e contemplar poemas escritos até no teto - estrelas verbais em um céu de linguagens. Tive umas ideias, pena que no IFRN não há uma parede nossa - ainda!








































BIENAL

Sim, eu visitei a Bienal em SP, no mês de novembro de 2016. Sim, eu esqueci de postar as fotos da Bienal. Mas-porém-contudo-entretanto-todavia, sim, estou postando agora - porque antes tarde do que nunca! Foi a primeira vez que visitei uma Bienal em São Paulo, uma experiência muito interessante. Resumindo o evento, poderia dizer que foi alguma coisa parecida com o moderno-figurativo-barroco-pós-surrealista, como bem definiu o crítico Zeca Baleiro. De tudo o que eu vi (e foram mais de duas horas no espaço do Ibirapuera), as frases escritas nas paredes, produzidas em uma oficina de imaginação política (!), e os poemas visuais reconfigurados em mosaico foram as exposições que me arrebataram. No mais, muita intersecção entre suportes, muito diálogo entre as artes, algumas obras da série #issoeutambémfaço, algumas coisas estranhas, claro, muita interação e construção coletiva. Coisa bonita de se ver no conjunto dessa mega exposição. Grata demais aos primos (Vanda e Lindenberg) sugeriram e que me acompanharam no passeio.


Agora vamos às fotos. Como não dá pra colocar tudo de uma vez, pois tenho mais de 100, vou dividir em blocos, começando pela exposição de poemas visuais/marginais (?), lindamente dispostos em um mega painel super colorido. As imagens são muitas e não foram tratadas como eu gostaria de fazer, mas não estou com muito tempo, então vão assim mesmo.




















quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Eu acordo todos os dias e todos os dias parecem iguais.
Eu saio sem ao menos saber se voltarei ou ainda serei inteiro.
Eu ando pelas ruas e nada me faz crer no amanhã.

Uma parte de mim parece ser assim
Subtraída da vida.

O futuro tem portas fechadas
tem luz apagada,
beco sem saída.

Eu volto e o cansaço dos séculos me acompanha calado.
Ele passa na minha frente quando tento abrir a porta.
Ele não abre a porta
E ainda fecha as minhas janelas.

Eu me deito e fecho os olhos.

(tem dias em que eu apenas respiro)

domingo, 4 de dezembro de 2016

Amor próprio

Amor próprio não é uma frase,
é uma reza
um mantra
uma receita.
É pra pregar no teto do leito
em legíveis letras
bem acima da cama
onde se deita.
É som pra entoar do nascer do dia
ao dormir da noite
antes do sonho
depois do pacto
ato de amor

consigo mesma.



sábado, 3 de dezembro de 2016

Quando a poesia cai do céu

IFRN. Campus Natal Central. Quinta-feira. Trancados na famigerada sala C-23, seres humanos comungavam um estranho ritual: enchiam balões em série e neles escreviam poemas. Sim, poemas seus, poemas de outros, e além dos poemas, palavras, muitas palavras, palavras de sonhos, sensações, desejos, ações e realizações... Os balões, assim cheios e grafados, eram deitados no berço esplêndido do chão da sala, e ali ficaram até o grande momento. Lá fora, o aviso sonoro do chamado "intervalo" entre aulas anunciou que a hora era chegada. Os balões coloridos e escritos foram cuidadosamente reunidos e, do alto do corredor do bloco C, lançaram voo triunfal para as "rosquinhas" (pátio) da escola, onde foram recebidos por outros seres humanos surpresos e desavisados do que se passava. Correria. Pânico? Terror? Aflição? Não. Movimento que se fez ternura. Ao verem as cores voando no céu, ao correrem atrás dos balões, ao perceberem os poemas neles escritos, ao lerem os versos, de cada balão brotou um sorriso, e da surpresa daquela tarde de quinta-feira, nas rosquinhas do IFRN, nasceu um coletivo poético, assim mesmo, em forma de sorriso, caído do céu.

E os seres humanos interventores, autores do rito, seguiram seus trajetos, felizes e satisfeitos, pelo cumprir dessa missão... Até o próximo assalto.


















Seres humanos interventores: Ana Mafra, Dante Fernandes, Leonardo Araújo, Valéria Sara, Yuri Gomes
Poetas: Drummond, Pessoa, Leminski, Ana Cristina César, Adélia Prado, Chacal, Sérgio Vaz, Ni Brisant (e poemas dos luninhxs-interventorxs-maravilhosxs)
Créditos das imagens: Leonardo Araújo (Mineração, 3o ano)
Na última foto, os serumaninhos da turma de Mineração. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Entre Natal e São Paulo (12-11-16)

Os anéis não nos protegem
das asperezas do viver
- malha de espinho que fere.
Experiência.

Os anéis não nos impedem de sentir
as maciezas do viver
- colcha de lã que afaga.
Experiência.

O mundo é tateável.
Acaricie.