dezoito anjos escondem um sol
no meio do caminho passa uma nuvem
a asa curva divide paisagens em linha reta
discos voadores pairam em rotas de colisão
enquanto os arcos somem no infinito.
segunda-feira, 30 de abril de 2018
domingo, 22 de abril de 2018
{a pena afaga o papel e finge cantos de amor}
quero-te sem razão.
vontade. teu nome me chama.
além de mim, no afã da euforia, quero-te em vão.
além de mim, no afã da euforia, quero-te em vão.
rezo à prudência.
rogo que cesse essa querência
porque urge assim não mais te querer
é urgente te esquecer
tanto quanto a mim.
paciência.
rogo que cesse essa querência
porque urge assim não mais te querer
é urgente te esquecer
tanto quanto a mim.
paciência.
quero-te e sei que melhor é não querer
mas sou tão pouco na arte de dominar vontades
que já nem são partes, senão o todo desenhado em mim
pela ausência tua que me invade,
me envolve em seu enleio
e me deserta no fim.
mas sou tão pouco na arte de dominar vontades
que já nem são partes, senão o todo desenhado em mim
pela ausência tua que me invade,
me envolve em seu enleio
e me deserta no fim.
quero-te. mas por tudo o que não és
queria não te querer.
enfim.
queria não te querer.
enfim.
domingo, 8 de abril de 2018
um café
Lembro,
da última vez que estive aqui, de uma música no ambiente, baixinha, algo instrumental,
intimista e desconhecido. Hoje a música da casa está por conta de um senhor que
chegou ainda há pouco, logo depois de mim. Ele passou carregando uns equipamentos
de som e um violão encapado. Então no vão maior do alpendre (não onde me
encontro, embora de onde estou eu o veja bem) ele montou todo o som: duas caixas
acústicas em pedestais e o violão, tudo ligado a um amplificador portátil. Nesse
momento ele está tocando e cantando músicas de um repertório de MPB. Poucas músicas
eu não conheço, a maioria delas é conhecida, de Tom Jobim, João Gilberto, Toquinho,
Paulinho da Viola... Mergulho então nesse passado gostoso, guiada pela música
melodiosa dos dedilhados seguros e da voz gostosa desse senhor.
Quando
cheguei, Pedro me recebeu ainda no portão e me levou a uma mesinha que,
descobri logo pelo meu sobrenome marcado nela, havia sido carinhosamente
reservada pra mim. Perguntei por Larissa, soube que ela estava lá dentro, na
cozinha, terminando de preparar os pratos para servir o almoço. Nós três somos
velhos conhecidos, tão velhos quanto a idade dos meus filhos. Tão velhos quanto
a idade do próprio restaurante. No dia anterior, quando, por telefone, eu lhe
pedi o mapa para achar o local, ele me perguntou se eu iria com as crianças.
Disse que não. Então acho que ele sabia que eu estava sozinha e devia ainda se
lembrar que nas idas assim eu gostava de aproveitar o tempo e aquele ambiente
agradável pra relaxar, geralmente lendo ou fotografando as flores dos jardins do
sítio. Mas hoje eu cismei de escrever. Sim, é um domingo especial, domingo de
feriado. Mas não é bem por isso que eu cismei de escrever. É que a escrita
agora me tem sido uma obsessão, tanto que ultimamente me sinto até acompanhada.
Acompanhada da caneta, do caderno, e do olhar que quer ser preciso, mas termina
por imprecisar as coisas ao meu redor. Tudo exercício de palavras. Às vezes
atenta, às vezes dispersa, passeio no caos. Às vezes tanto faz.
Então.
Fui conduzida por Pedro a essa mesa redonda e pequena, perto da porta de
entrada. Espaço arejado, protegido do sol, margeado por plantas, uma graça de
lugar. Sentei-me na cadeira, uma linda cadeira pra chamar de minha, a única
naquela mesa. A superfície está forrada com uma toalha de seda branca desenhada
de flores em relevo. No centro da mesa, uma garrafa de vidro cheia de água faz
as vezes de jarro. Dentro dela, dois galhos de pitanga, cheiro fresco e pontas
alaranjadas. Mimos da casa. Agora sob a mesa o jarro improvisado divide espaço
com um livro, dois cadernos, meu estojo de lápis e o prato do almoço vazio.
Desorganizada harmonia. Já almocei. Comi uma vistosa salada de vários tipos de
folhas e grãos, uma seleta de legumes, algumas fatias de pão caseiro com pastas
de sabores variados. Uma delas acho que era de grão de bico, a outra era uma
pasta de alho muito saborosa. A terceira talvez fosse de gergelim e a quarta
parecia um creme de iogurte, mas sei que não era iogurte porque o restaurante é
especializado em comida vegana, então entre conhecer o ingrediente e apreciar o
seu sabor, fico mesmo com o sabor, desde que seja gostoso. Atraiu-me essa ideia dessa experiência sensorial,
presente me dei hoje, domingo festivo. Agora estou eu aqui, uma mão empunhando
uma caneta, a outra empunhando uma colher, entretida entre as palavras e as
sobremesas, ouvindo esse homem de voz doce cantando e tocando seu violão.
Na
minha frente, bem na curva do alpendre, há outra mesa redonda, maior que a
minha, ocupada por um senhor, uma senhora e duas mulheres mais novas que eles.
Uma delas, a mais falante, está grávida, já com a barriga bem aparente sob a
bata branca. Há ao lado dela uma cadeira vazia, talvez de uma quinta pessoa
ausente nesse momento. Eles ainda estão almoçando. Com semblante feliz e fala
sorridente, a moça tenta explicar, com base em suas mais recentes experiências,
as alegrias e tristezas desse interessante evento chamado gravidez. Nessa hora
Pedro passa por nós perguntando se estamos bem, se nos falta alguma coisa. Entra
na cozinha e logo depois retorna com uma garrafa branca. É o chá. Deixa-a então
ao lado da outra garrafa, a garrafa preta, de café, junto das pequenas xícaras,
das colherinhas mergulhadas em um copo com água, do açúcar e do adoçante, todo
esse conjunto sob um console cuidadosamente forrado com um delicado pano de
renda, bem perto das nossas mesas.
A
moça grávida começa a contar como foi o seu início do dia de hoje, narrando com
mensurados pormenores, uma a uma, todas as coisas que fez antes de chegar ao
restaurante. A ordem dos fatos e a graça dos detalhes me chamou atenção.
Levantei às oito, tomei café com torradas, duas torradas, depois tomei um banho
porque está muito calor nesses dias, dei comida pro gato, coloquei a roupa na
máquina de lavar, pedi ao meu filho que se apressasse porque não queria chegar
atrasada, combinamos estar aqui meio dia em ponto, peguei vocês no caminho,
aqui estamos nós, a vida é corrida, nossa, como o tempo passa depressa, então
tá, daqui a pouco vamos embora. O casal de velhinhos presta tanta atenção que
chega a parar de comer. Até os garfos e as facas pousados sob seus pratos parecem
esperar pelo relato da moça grávida. E eu não sei quanto às outras grávidas do
mundo, mas aquela grávida ali claramente virou o alvo de todas as nossas atenções
no momento. A moça agora está falando da vontade louca que teve de comer
tapioca hoje pela manhã. Conta nos dedos quantas horas pra trás isso aconteceu,
e olha para o lado, chamando a atenção do menino que brinca no jardim, bem
próximo ao alpendre, entre a minha mesa e a mesa onde eles estão. Então a
cadeira vazia deve ser desse menino, um menino de seus seis anos no máximo. A
criança é o seu filho, o filho que, entre a comida dos gatos e a roupa na
máquina de lavar, deve ter se apressado pra não atrasar a mãe. Nesse instante,
a outra mulher jovem, não tão jovem quanto a moça grávida, também se lembra das
suas agruras de gravidez. Relata os enjoos, os incômodos, o quanto de tempo que
dura essa etapa mais curta e sofrida da feitura de um bebê dentro do corpo da
mulher. Depois do primeiro trimestre tudo é festa. Nem tudo meu bem, tem o
parto, não se esqueça. A mulher mais velha ouve e faz sinal com a cabeça,
concordando com elas.
Pedro
passa por nós. A música recomeça. A conversa ao lado continua. Voz e violão,
cantigas melodiosas de antigamente, não tão antigamente assim, mas de um tempo
já perdido nas eras dessas incontáveis horas, dias, anos e décadas que passam
rápido demais. As letras das músicas agora se misturam com as vozes ao lado, entre
relatos sobre as idas ao médico e os exames de rotina. Reconheço Cartola me
lembrando que as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que
roubam de ti. Um rapaz vai ao console, tenta se servir de café e percebe que a
garrafa preta está quase vazia. O café acabou, grita Pedro para a cozinha. Bate
outra vez com esperanças o meu coração. E faltam seis semanas para o parto, mas
está fazendo um calor insuportável nesses dias, nessa noite acordei pingando de
suor. Olha, está saindo um cafezinho maravilhoso, chega já. Dedilhados de
violão. Ainda é cedo, amor, preste atenção, o mundo é um moinho. Risos atrás de
mim. Larissa se aproxima e me pergunta como estou. Estou bem, tentando
escrever. Gritos das crianças também fazem música. Você abusou, tirou partido
de mim, abusou. Olha que chegou o café novo. Mamãe,
vamos pra casa? Ao meu lado, mãos de homem seguram uma xícara de café verde. Xícara
verde. Não café verde. Você abusou, tirou partido de mim, abusou, mas
não faz mal, se o quadradismo dos meus versos vai de encontro aos intelectos.
Será quadradismo mesmo? Que palavra estranha. Pernas cruzadas, xícara verde nas
mãos, Pedro passa por mim novamente. O sol está forte, tomara que o trânsito
esteja tranquilo e que a gente chegue logo em casa, porque esse calor está
insuportável. Será a gravidez? E me perdoe se eu insisto nesse tema, mas não
sei fazer poema ou canção que fale outra coisa que não seja amor. As xícaras
são diferentes, todas tão diferentes, cores, tamanhos e formas diferentes. Xícaras
de chá e de café, todas diferentes. Foi um grande prazer recebê-los, diz Pedro
ao se despedir de outro casal, não o casal de velhinhos que está na minha
frente. Outro casal. O cheiro do café está ótimo. Olha que coisa mais linda,
mais cheia de graça, é a menina que vem e que passa. Pedro passa por mim, mas
volta, parando na minha frente. Ele fica admirado com a minha letra e com a
velocidade da minha escrita. Ah, porque estou tão sozinho, ah, porque tudo é
tão triste. Sorrio sem graça. Se ela soubesse que quando ela passa o mundo
inteirinho se enche de graça e fica mais lindo por causa do amor. O músico termina
sua apresentação e agradece à plateia. Aplausos. Eu não aplaudo, caneta na mão.
A plateia vai em peso para o console, todos agora se aglomeram em torno da
garrafa preta. Xícaras coloridas. A música dos gritos das crianças. Decido então
que eu também quero café. Fim da escrita.
Natal,
01/04/18.
(ps.: a foto é antiga, mas o lugar é o mesmo)
domingo, 25 de março de 2018
#desconexões
Só queria lembrar que está ruim pra todo mundo. Não apenas
pra você. E queria poder te dizer que há dias em que é difícil até respirar. O mal
tomou conta da atmosfera, empestou as ruas, adentrou os bares, poluiu as redes,
espalhou-se feito poeira e hoje até meu quarto escuro ele invadiu. Da minha
cama, fito a única réstia de luz que adentra pela fresta. Ela ilumina
partículas do veneno do mal que eu e você respiramos todos os dias. Hoje aprendi
que até o ar mata. Então, não, eu não vou pra rua. A poeira da maldade está em
todo lugar. No espaço não há mais abrigo. Não tendo pra onde ir, termino
ficando por aqui mesmo, na minha retração, em companhia dessa loucura
particular que me guia através das palavras. Elas que agora entornam pelas
linhas, me espreitam da esquina da minha mente. Elas que só aparecem quando me
escondo, espreitando a noite, esperando pela chuva que nunca vem, rezando por
um vendaval que destrua de vez a cidade, ou que dissipe pelo menos parte desse
veneno. Pareço só, mas só estou em recolhimento, aguardando o tempo passar. E até
que a morte me corrija – me vença ou se dê por mim vencida – nem adianta insistir:
daqui eu não me arredo. No meu quarto escuro, a única luz que enxergo vem das
palavras que escrevo. Amigo, vai desculpando a ausência, mas nesse momento só consigo estar presente dentro de mim.domingo, 18 de fevereiro de 2018
08 de janeiro de 2018, dentro de um avião...
Antes da decolagem
avisos de pânico ao atar os cintos:
avisos de pânico ao atar os cintos:
- mascaras de oxigênio cairão sobre vossas cabeças
- luzes no teto e no piso indicam as saídas de emergência
- em caso de pouso na água, use o assento para flutuar
E aí, segundos depois, na janelinha, descubro que o medo também é passageiro.
(escrito no celular)
~fragmentos~
Mergulhei na paisagem do seu olhar. De braços abertos, paixão em riste, abismo horizontal que você é, saltei. Quedei eu só e livre desde então, e a saudade brotou em mim estas asas azuis de verão. Como o mar, como o céu, como a tristeza de morrer e continuar vivendo longe, tão longe...
domingo, 31 de dezembro de 2017
trinta e um de dezembro
Há dez anos, numa manhã de trinta e um de dezembro, eu vi, a
poucos metros de mim, uma menina morrer afogada, na praia de Santa Rita. Nesse
dia, eu saíra para caminhar na beira do mar, como sempre fazia (eu morava na praia
da Redinha), e, por ser o último dia do ano, aquela caminhada tinha, em
especial, o objetivo de agradecer pelo ano que passou e renovar os sentimentos
de esperança, coisas que muitos fazem nesta passagem simbólica de datas. Há
exatos dez anos, meu sentimento de pertencimento ao mar drasticamente se rompeu
ao ver uma menina de treze anos morrer afogada, em um dia trinta e um de dezembro,
sem poder fazer nada para impedir tal acontecimento. E foi tão rápido e estúpido
o afogamento, que levei algum tempo para perceber o que de fato ocorrera ali: a
menina de treze anos acenou para uma outra menina que estava ao meu lado, fora
da água, quando uma onda pequena a cobriu e ela simplesmente desapareceu. Não
houve desespero, não houve agonia, não houve qualquer sinal da tragédia que ali
se anunciava. Segundos depois, a menina ao meu lado começou a gritar pelo seu
nome. Eu, que estava caminhando, mas, naquele instante, parei para contemplar aquela
cena, procurei no mar por algum sinal da menina, primeiro um braço, depois um
movimento de onda incomum, e, por último, alguma cor diferente do espectro branco
e verde esmeralda das espumas e águas do mar. Nada. Por último, começaram a procurá-la nas águas alguns surfistas que estavam por perto, assim como os guarda-vidas
que chegaram uns quinze minutos depois do desaparecimento. Resgataram o corpo
da moça mais de vinte minutos depois do instante do afogamento. Presenciei, ali
parada, todos os esforços dos bombeiros para trazê-la a vida: a retirada do
corpo das águas, os procedimentos de ressuscitação: respiração artificial,
massagem cardíaca, pelo longo tempo que mais pareceu uma eternidade, até a
palavra final dita pelo bombeiro: hora do óbito. Eu não lembro o nome da
menina, soube depois que ela tinha treze anos e que passaria, com a família, as
festas de fim de ano naquela praia. Festa que não aconteceu. Naquele tempo, há dez anos, eu não era quem sou hoje, como também não seria mais quem eu fora
antes daquele acontecimento. Naquele dia, dia de preparativos para uma festa,
dia de renovar esperanças, dia de se despedir do passado e abraçar o futuro, o
presente daquela família também foi o meu presente. Uma dor imensurável, um
sentimento de impotência absoluta, a sensação de despertar no meio do caos onde
fincamos nossa parca existência, nos iludindo com inúteis atos, acreditando
que disso depende o futuro que se aproxima, pelo qual nada, nada podemos fazer.
Há dez anos a lembrança dessa menina me visita, todo último dia de todos os anos
seguintes, e eu sempre me pergunto onde estaria ela se, momentaneamente, tivesse
sentido aquela preguiça adolescente de entrar no mar naquela manhã. E ensaio um
passeio pelo caos da imaginação pensando que hoje, aos vinte e três anos, talvez
estivesse frequentando uma universidade, talvez tivesse até filhos, talvez
simplesmente ainda estivesse viva, e talvez nem gostasse mais tanto assim do
mar, e eu, sem saber da sua existência, talvez estivesse hoje em
alguma praia dessa orla, com minha roupa branca e nova estirada sob uma cama,
cozinhando algum prato requintado que não fosse ave, em meio aos preparativos mentais
para receber o ano novo com tudo de bom, paz, saúde, dinheiro, felicidade,
esperança etc. E talvez até eu acreditasse nisso da mesma forma que a maioria das
pessoas creditam. Aí eu me lembro da menina de treze anos que morreu afogada, sem futuro, sem ao menos ter tido a oportunidade de viver no mundo dos adultos, com tudo de bom e de ruim que ele
nos traz - coisas que desejamos aos nossos filhos, mesmo sabendo que eles vão sofrer entre amores e desamores, delícias e dores que são os presentes da vida. E lembrando dela, eu sempre desejo mesmo é desacreditar. Então eu acho que é por
isso que a memória dessa menina vem sempre aqui, se faz presente dentro de mim,
pra me lembrar que essas coisas fazem sentido quando acreditamos nelas, e é
preciso que acreditemos, porque só é possível acreditar em algo que não se vê,
apenas se imagina ou se deseja. Eu não posso dizer que acredito no inverno,
porque em algum lugar longe daqui ele, de fato, existe. Eu não posso dizer que acredito
na vida, porque ela simplesmente também existe. E também não acredito na morte,
porque a morte, assim como a vida, é um fato inexorável. Mas eu posso, sim,
acreditar no futuro, por ele ainda não existir. E posso desejar que ele seja
melhor do que o presente. E posso querer continuar vivendo, apesar de a vida às
vezes não ser nada fácil. E posso também desejar que daqui exatos 365 dias, quando essa
menina de treze anos voltar a me visitar e me perguntar: e aí? no que você vai
acreditar para 2019? Que eu possa dizer a ela tudo o que eu estou dizendo-lhe
neste exato momento: desejo viver com dignidade, com respeito pelo outro, com
ética, com esperança nesse tal futuro que não conheço, mas que acredito que ele possa ser melhor. Desejo que meu trabalho, para além do
meu sustento, continue me trazendo as mesmas pequenas alegrias que engradecem e
justificam a minha existência no espaço em que atuo. Desejo que meus filhos continuem crescendo
com saúde e que continuem a me ensinar muitas coisas que eu ainda não sei. Desejo
ser tolerante com os outros e comigo mesma. Desejo que o caos em que vivemos
faça, para nós, o sentido que nós quisermos que faça: seja com sementes de romã
guardadas na carteira, roupas brancas e novas, sete ondas à meia noite, queima
de fogos na orla e champanhe para beber o ano que inicia... Seja simplesmente
em casa, longe do mar, dormindo na hora de sempre e acordando com a luz do mesmo sol de todas
as manhãs. Porque para alguns a vida se renova a cada ano; para outros, ela se
renova a cada nascer do dia. E ainda bem que no mundo ainda há espaço para
todos.
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